Contos

2012

Todos eles passaram pelo Processo de Recapacitação Pessoal depois que os Kraehns chegaram. Era pra tornar a raça humana menos agressiva e sem dúvida menos sentimental. Todos sabem que o que faz a raça humana ganhar sempre de todas as invasões alienígenas era o Amor e a Esperança. Os Kraehns também sabiam, então inventaram que Amor e Esperança eram coisas ruins, fizeram uma novela onde a vilã amava e o bandido era esperançoso, então Amor e Esperança caíram em desuso e, quando sobrava alguém mais atrevido, era mandado para esses centros de Processo de Recapacitação Pessoal.

Todos eles ficaram presos por seis meses, sendo dopados e obrigados a verem cenas horríveis. Os Kraehns não era uma raça lá muito mais evoluida que a humana – talvez, a humana chegasse lá em poucos séculos não fosse a exploração pela qual estava se sujeitando – mas sabiam como alienar e controlar seres. Adestrar. Desde formigas, desde pulgas de circo, até humanos.

Na verdade, foi bem simples. Falando com as pessoas certas, a infiltração foi tranquila e, depois do caos, controlar os sobreviventes os venerando como Deuses (tudo que cai do céu é deus, pra qualquer raça rescem-renascida) foi bem fácil.

Entre eles, havia uma mentirosa. Os Kraehns sabiam detectar mentiras, pois mentiam o tempo todo. É como um bêbado sente o cheiro do outro. Mas julgar – não. Kraehns não sabiam julgar a mentira, então ficaram confusos e pensaram que, se ela fosse largada lá, logo se drogaria até morrer ou morreria de outra forma qualquer.

Ela mentiu depois do dia do tratamento que viu uma foto da sua mãe, editada no computador, ser refletida na sua mente. Ela nunca soube quem foi sua mãe, mas com as técnicas de dominação e hipnose, a imagem foi resgatada da memória mais infantil. Pena, a imagem era embaçada, já que naquela época seus olhos ainda não funcionavam bem. Seria impossível reconhecer aquela mulher. Mas os Kraehns, os filhos da puta, pegaram a imagem e ensanguentaram, e maltrataram, para que não houvesse Amor nem Esperança.

Não deu certo. Ela não sabia o porque, nem os Kraehns, mas eles não sabiam que não tinha dado certo. Ela ficou em silêncio e foi a única que não chorou.E eles sabiam que ela estava mentindo, mas não sabiam sobre o que, e não perguntaram.

Agora, livre, ela tinha algum tempo livre. E ia utilizá-lo para alguma coisa.

/* Eeeee, fazia uma cara que eu não escrevia um pedaço de um conto! Foi só pra tirar o post anterior. Foi como aquelas chuvas de verão: veio e se foi. Mas foi divertido enquanto durou. */

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