Dia-a-dia

A chuva e o caos

Então, pra quem não sabe, ontem choveu horrores em Sampa e no ABC, digno de “Águas de Março” se fosse um metal daqueles bem pesados. Eu nem me toquei: continuei trabalhando como se o mundo não estivesse desabando. E ele continuou desabando. E eu saí na chuva, mesmo no começo da gripe. Mas beleza.

Eu sabia que ia demorar o resto da minha vida pra chegar em casa, então peguei o livro de inglês pra fazer lição, só que um infeliz ficou na frente da pouca luz que tinha. Juntou isso com sono e catapimpa: acordei em Diadema. E, nossa, foi rápido. A Berrini tava sussa, a Cupecê tava sussa, Diadema tava sussa.

Daí em vez do Urubupungá entrar na Av. Piraporinha, ele continuou reto. Todo mundo ficou aflito e eu ri. Não adianta ficar nervosa, sabe? Tá chovendo, tá zuado, vai demorar pra chegar em casa… E eu tava me divertindo até que minha mãe me ligou.

Minha mãe tem síndrome do pânico, ela não consegue pegar ônibus cheio, ela desmaia. Disse que tava no centro de São Bernardo desde quatro horas da tarde – e eram oito e meia da noite. Aí fodeu, aí fiquei preocupada. Não conseguia falar com meu pai, telefone não funcionava. E o ônibus pelo caminho alternativo que eu não conhecia.

mapa

(como eu queria ter google maps na hora…)

A 1h30 que se passou foi a mais longa do cosmo, até que o ônibus desembocou na Fagundes de Oliveira, daí eu desci (por puro desespero porque já tava andando melhorzinho) e fui andando. Liguei pra mãe, ela tinha conseguido embarcar pra ir pra casa.

Cheguei, sem energia elétrica desde 3h da tarde. Sem telefone, tv, internet ou rádio. Meu cachorro na lavanderia, porque a casinha não ia aguentar a chuva. Minha irmã não foi na faculdade porque não tinha ônibus. E meu celular sem crédito e pior: quase sem bateria.

Eu não tinha como me comunicar com ninguém. Não dava pra checar meus emails nem postar no twitter, porque a bateria ou os créditos iam acabar, e se eu precisasse pra alguma emergência?  Me senti isolada no mundo. 

E, você sabe, sem energia a gente fica meio perdido. Apertei o botão do acendimento automático do fogão, em vez de pegar fósforos. Qualquer tarefa simples: subir as escadas, trocar de roupa, era bastante complicada e ficava com aquilo de “me empresta a lanterna!” hahhaha

O lado bom é que a gente ficou batendo papo. Pra quem não sabe, eu moro numa república composta por mim, minha irmã, meu pai e minha mãe. 

Larguei tudo, fui dormir. Sem saber se pessoas queridas finalmente chegaram em casa, nem quantas horas elas demoraram pra saber. Me sentindo extremamente dependente de energia elétrica e conexão com a internet. E um tanto entediada.

(23h45 a energia voltou e eu coloquei o celular pra recarregar o/)

Ainda bem que minha casa não encheu d’água, como tanta coisa pelo caminho, e eu tirei o mac da tomada pra não correr risco dele queimar, então não tivemos prejuíso… Só tensão. É horrível e eu não tenho nem coragem de culpar ninguém (tipo, governo e essas coisas), porque choveu deemaaaais… E tu vai fazer o quê?

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