No meio espírita temos muitos livros de referência, que sempre são citados nas palestras. O “Evangelho Segundo o Espiritismo” e o “Livro dos Espíritos” são leitura obrigatória, mas outras obras são importantes porque foram redigidas por espíritos superiores e ensinam lições valiosas: “Há 2000 Anos”, “Paulo e Estevão” e, claro, “Nosso Lar” estão entre elas.
Para aproximar as crenças aos católicos e evangélicos, em algumas palestras se usa a palavra Colônia como Céu e Umbral como Inferno. Eu discordo dessa exposição dos conceitos. Discordo ainda mais quando falam “Todo mundo quer ir para ‘Nosso Lar’ mas quem não é bom fica vagando no Umbral”. Acho isso ridículo, por dois motivos:
- “Nosso Lar” é só mais uma das maravilhosas colônias que existem e ir pra lá não é melhor ou pior que ir para outras colônias.
- Você vai para onde você for de acordo com a sua vibração [geralmente] no momento da morte. Isso é temporário – até o arrependimento sincero e quando se cansa de sofrer, desejando a genuína mudança. Quem está no Umbral não é mau nem, no outro oposto, sofre injustamente.
Mas não foi “Nosso Lar” que me ensinou isso. Foi “Violetas na Janela” e seus volumes subsequentes. Com linguagem mais simples e leve, ensina praticamente o mesmo que “Nosso Lar”. Foi um dos primeiros livros que li sobre espiritismo e me deu uma boa e simples base para começar.
Quando peguei para ler, esperava mais de “Nosso Lar”. Procurei o motivo pelo qual as pessoas ficam tão animadas para ir pra lá quando morrer e não encontrei. Quer dizer, é um lugar maravilhoso mas não tem diferença. Aí disseram que era pelo filme, que é tudo mágico e fantasioso. Não assisti ainda.
Não que o livro seja ruim. Conta a história de André Luiz quando desencarnou. Ensina muito. Tem passagens lindas. Dá aquele abraço no coração quando a gente lê. Vale a leitura.
Dois pedaços que tirei foto e deixei no celular, que são boas reflexões para fazer de vez em quando:
“Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário da imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira d’alma.”
“Dentro do nosso mundo individual, cada ideia é como se fora uma identidade à parte… É necessário pensar nisso. Nutrindo os elementos do bem, progredirão eles para nossa felicidade, constituirão nossos exércitos de defesa; todavia, alimentar quaisquer elementos do mal é construir base segura para nossos inimigos verdugos.”
O caminho é longo. Mas a estrada pode ser menos árdua.