Reflexões

Parando e pensando

Depois de muito tempo, quase dois anos, meus hormônios voltaram quase ao natural. Já contei e tal que tô tomando menos remédio e me sinto mais “limpa” que nunca. Eu nunca fiquei tão bem com tão pouco remédio, então todo dia é um passo, uma descoberta.

Aí chegou a TPM e eu tava até ansiosa pra saber como ia ser, se eu ia me dar bem. Quem tem depressão biológica sofre mais na TPM. Sempre dá uma quedinha.

Não posso dizer que estou sofreeeendo, assim. Só de dor no tornozelo, mas né. Apenas um dia comum, isso de ter dor no tornozelo. Mas preciso admitir que ando mais chorosa e reflexiva.

É inevitável você olhar pra sua vida de tempos em tempos e pensar que diacho você tá fazendo dela. Minha vida não está ruim de forma alguma: eu tenho minha casa, namorado, amigos, um bom trabalho. Tudo que eu queria ter. Até minha condição monetária tá ótima. E esse foi o mesmo discurso que falei em outubro/novembro de 2010, quando surtei.

Não acho que vou surtar agora. Eu tenho mais controle, paciência e auto-conhecimento e fico esperando a semana passar, sem tomar nenhuma decisão pra vida (como cortar o cabelo tipo Emma Watson on drugs). Ainda assim, as possibilidades pipocam o tempo todo.

Tenho vontade de largar tudo e virar freelancer em tempo integral. Faz quase um mês que venho para o escritório e fico aqui sentada por oito horas sem fazer nada ou quase nada. Tenho aproveitado o tempo para estudar e fazer projetos pessoais paralelos, mas eu queria era estar cozinhando e cuidando da minha casa, lavando minha louça, sei lá.

“Ain Marta você tá reclamando de ganhar pra não fazer nada? Dá seu emprego pra mim!”. Eu tô ganhando dinheiro, sim, para ficar aqui de plantão. Mas e daí? Achei uma fonte legal de freelance que paga, sozinha, minhas contas. Mesmo se eu freelasse pra cá, remoto, e ganhasse só as horas que trabalhei, tava de boas. E se eu não viesse pra cá presencialmente, poderia fazer outros freelances no meu tempo livre. Ou artesanato. Ou jardinagem. Ou cozinhar.

Pode ser que eu opere o tornozelo novamente e não sei como seria o tempo/processo de recuperação neste caso. Mas se eu precisar ficar mais de um mês em casa… talvez eu pense nisso com mais carinho. Sou webdeveloper, posso trabalhar de qualquer lugar do mundo. Por que preciso ficar presa em um escritório se sou “minha própria empresária”? Por que preciso vir presencialmente construir um produto que vai ser acessado de qualquer lugar do mundo?

Tenho vontade de viajar, como o Heron fez. Conhecer outro país. A Austrália, assim, algo diferente dos EUA. Ou mesmo viajar pelo Brasil. Ou mesmo morar em São José dos Campos. Talvez só trabalhar um dia na Starbucks, outro no Centro Cultural, e na minha cama quando estiver frio.

Não é delírio. Nem difícil. Eu vejo tudo isso e não sei porque estava até então tão obcecada por uma carteira de trabalho. Eu tenho previdência da empresa e seguro em caso de gravidez ou invalidez. Por que estou tão preocupada?

Essas ideias todas vieram do livro gratuito “Equilíbrio – A vida não faz acordos”, de Flavia Mariano. Você não precisa ter um Kindle para ler. Basta baixar o programa no PC ou no celular e “comprar” o livro. Ele é curtinho mas faz pensar nessas coisas de ser workaholic. Acho que não sou mais workaholic como era antes, mas ainda preciso de equilíbrio.

Mas isso não é tudo. Por outro lado, a segurança, a atividade e o glamour de trabalhar presencialmente ainda me encantam. Gosto de ver pessoas, de ter um canto seguro, dinheiro todo mês. Tenho meus eletrodomésticos para terminar de pagar. Não reclamaria por um aumento de salário. Não acho errado eu querer um pouco mais, já que ainda tenho coisas para comprar e pretendo juntar meus trapos com o Eduardo ano que vem.

E eu quero ter um filho até os trinta também. Aí não sei como vai ser. Trabalhar em casa seria ótimo para cuidar dele; trabalhar fora seria o ideal para sustentá-lo.

Imagino quantas pessoas passam por essas indagações e tenho medo que não sejam tantas assim. Meus pais têm um modelo de trabalho tão fechado e engomadinho que a gente sempre acaba discutindo por essas coisas e eu entendo que era outra época e outras profissões. Minha mãe era bibliotecária arquivista. Ela precisa fazer o trabalho presencial. Meu pai era programador, mas funcionário público. Ele tinha toda estabilidade  do mundo.

Eu, não. Eu sou livre dessas amarras. Eu não tenho esses suportes. E eu não sei o que fazer com isso.

Um comentário em “Parando e pensando”

  1. Eu tava pensando exatamente a mesma coisa essa semana mas, infelizmente, com metas mais nebulosas e incertas… =/ Agora queria um muffin de nutela e conselhos rsrsrs
    Saudades

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