Na foto eu, fazendo template, em 2005.
Esse ano, mais do que nunca, minha postura como programadora front-end tem sido constantemente analisada por mim mesma. Até então eu achava que ser front-ender era saber CSS e HTML, talvez um jQuery pra dar uma animada nas telas. Nunca encarei isso como programação, porque é marcação, estilo, interação. Esse ano precisei aprender Backbone, que é uma linguagem orientada a objetos utilizando Javascript, e aí sim as coisas ficaram sérias.
Engraçado porque não tenho formação de exatas, de ciência da computação, como todos os programadores. Sou formada em Comunicação Social. Isso nunca me incomodou como incomoda hoje. Acho que eu nunca precisei programar tanto e nunca reparei que estou no mesmo mundo que eles, e não em outro.
É fofo pensar que isso tudo começou quando eu tinha uns doze ou treze anos. Meu pai é programador e tinha apostilas de HTML em casa e, quando a internet discada chegou, veio também o fantástico mundo dos blogs. Eu sempre fui apaixonada por escrever e por diários, e agora poderia fazer isso virtualmente. Junto veio a vontade de fazer meu próprio layout, de programar meu próprio tema.
Eu já tinha alguns experimentos no Geocities mas foi quando o Blig (Blog do iG) apareceu que eu realmente comecei a brincar disso. “Blig da Marta”, acho. Não existe mais. Mas eu não sabia como fazer o tema, e nem podia ficar muito tempo na internet. Então eu fazia todo o html do post off-line e depois, conectada, só trocava o HTML do tema já com o post dentro. Eu não salvava os posts, hahahaha eu não sabia como usar as tags próprias.
Depois veio o Blogger e o Weblog, que era do Terra. Aí foi que eu aprendi realmente a usar a tag dos temas, porque não dava para salvar template sem usar as tags do tema no Blogger. Naquela época não era essa bagunça que é hoje; era um grande XML com tags bem delimitadas e era fácil adicionar os pedaços.
Então fiz uma template shop! Ela chamava Toxic-Butterfly. Demorei muito para chegar nesse nome, usei geradores, etc. Eu pegava um wallpaper na internet, fazia a parte que ia se repetir, montava o layout em tabelas e adicionava os códigos dos blogs. Acho que tinha Blogger, Weblog e… mais alguns. Isso me deu habilidade e rapidez para produzir e duplicar código, além de me forçar a aprender a usar o Photoshop. Foi depois disso que fiz curso de webdeveloper. Eu já tinha alguma facilidade, mas CSS foi entrar na minha cabeça só quando eu já estava no mercado de trabalho.
Essa template shop, que nem fez tanto sucesso assim, foi meu laboratório, um projeto que me rendeu portfolio e prática. O caminho se abriu ali: eu descobri que gostava de fazer isso. Gostava de fazer o site, mesmo sem saber o que escrever nele. Então investi.
Meu primeiro emprego era como estagiária e depois “produtora” de sites. Não existia a área front-end aquela época. E tinha muito flash. Eu detestava flash, mas aprendi a programar em Action Script 2, o que me ajudou a aprender Javascript depois. E aprendi PHP também, em um dos estágios, o que me ajudou a entender o WordPress.
Não me lembro quando comecei a fazer temas de WordPress. Achava complicadíssimo, porque eram muitos arquivos e muitos códigos; mas depois que entendi quais eram e para que serviam os arquivos, foi acontecendo. Até hoje não escrevo tudo na mão. Uso o underscores (um tema sem estilo) para facilitar meu trabalho.
Sou front-ender profissional há… 9 anos. Foi graças ao blog que comecei a trabalhar já no primeiro trimestre da faculdade e não parei mais. Minto: parei um ano quando fui… bem… blogueira de tecnologia. Hoje meu trabalho é bem dinâmico. Faço a marcação de CSS e HTML, faço o Backbone para as interações com API do back-end, faço textos para nosso blog, arrisco uns Wireframes, organizo tarefas e às vezes mexo com plugins e temas em WordPress. Eu adoro. Sou multi, como a filha de bibliotecária com programador que eu sou.
Tudo isso para contar do Programaê, uma iniciativa da Fundação Lemann que incentiva crianças e professores a aprenderem a programar, ensinando a criar aplicativos com diversos sites parceiros. Se você quer aprender um pouco mais sobre como fazer sites, pode ser um bom ponto de partida 🙂
Ai muito amor ❤
A gente veio de uma geração de bloggers que se viravam e que tinham que aprender na marra as coisas. O primeiro layout da minha vida foi customizado por uma amiga. Daquele em diante, aprendi fuçando e até uns anos atrás, eu fazia meus próprios layouts. Só deixei de fazê-los pq não tinha mais tanto tempo disponível para cuidar disso e decidi terceirzar. Mas até hoje, se eu precisar de algo, eu faço de boas hahaha!
Obrigada por participar dessa iniciativa com a gente, sua linda.
Um beijo!
CurtirCurtir